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Soneto Quebrado de Um Coração Partido
Data: 30/01/2016
Créditos:
Título: Soneto Quebrado de Um Coração Partido
Autoria: Iolanda Pinheiro
Voz: Iolanda Pinheiro
Copyright © 2016. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Soneto Quebrado de Um Coração Partido
 

Um mar de sal distante, meus olhos embaça
ferido por rancores, seu amor fracassa
e agora o silêncio, minha erma praça
é o berço em que repousa esta alma lassa

Cansado do embate, o soldado se rende
a imagem se parte, e parte sem adeus
e fustigado meu amor  não compreende
onde foram morrer decretos seus

Do alto desta senda o amor se fecha
se cala e se conforma lendo seu tratado
Partida minha flor  por cega flecha

Não volte, não o prende mais meu coração
Do pouco que me deste eu deixo este legado
os versos tristes  que derramo pelo chão



-000-
Interação do colega STELO QUEIROGA
                                 
                                    Um soneto eivado em tristeza
                                   Certamente voará para o além
                                   Levará toda a dor e a incerteza
                                  E a tristeza em suas asas também

-000-
 Interação do colega Aleixenko
Seu legado causa-me tristez
Deixa meu coração partido
Tira da minha alma a leveza
  Torna meu amor magma derretido


-000-
Interação do colega Aleki Zalex     

EM PEDAÇOS

Essa alma lassa que repousa ao ermo
ouve o silêncio dos amores fracassados,
e os rancores desses olhos embaçados
trazem à face o sal dum mar enfermo.

Teus decretos morreram, nem sei onde,
e eu nem pude compreender o teu adeus
fustigou-me o coração, levou-me aos breus,
fez-me soldado ferido que se esconde.

Ah! Cega flecha que mia flor lancina!
Triste tratado que ao meu amor estraçalha
na alta senda que não mais meu peito escala.

Não quero o teu retorno como sina,
Pouco me deste, e hoje a dor é quem me embala
nos versos tristes que derramo pela sala...


-000-
Interação do querido amigo Ferreira Estêvão, que muito enobrece o meu soneto
 
 

Meus olhos tristes estão por ti
A nostalgia embarga-me a voz
Mágoa por tudo aquilo que li
O amor cruel vai deixar-me a sós


Batalha inglória, ciúmes fatais
Um querer sem alento nem medida
Uma paixão esmagada pelos ais
De um querer e vontade destemida


Aquilo que se quis e sempre atesta
Prostrado, exangue e sem vida
Esvaindo a ternura que lhe resta

Se vai perdendo no pano da lida
Uma forte chama agora sem festa
Aos poucos marcará o fim da vida


-000-


Interação desta rainha linda, sempre prenhe de poesia, soltando esmeraldas em palavras por onde passa, a nossa Cristina Gaspar


Seu tristonho verso
Ecoa dentro de mim
Como um sentir reverso
Doendo um tantão assim
É dor que se resigna
Embora sofra na alma
Levanta e vai seguindo digna
Como forma de aliviar a alma
Dedilhado o terço das paixões
Tendo conhecido outra fase do amor
Sentido na pele o aperto de seus grilhões
Íntegra na sua essência e diretriz
Se conforma e contorna a situação
Virando a página com a doída cicatriz'


-000-


ANÁLISE DO SONETO POR IOLANDA PINHEIRO

Foi um soneto feito em um momento de grande dor. A dor da perda precipitada de um amor imenso que um dia viria a ser, e foi prematuramente cortado.

Começaremos pelo título:

O soneto é quebrado porque não segue as estritas regras formais para a produção de um soneto, e de um coração partido porque saiu do coração em pedaços da autora.


Primeira estrofe:

Um mar de sal distante, meus olhos embaça
ferido por rancores, seu amor fracassa
e agora o silêncio, minha erma praça
é o berço em que repousa esta alma lassa


O mar de sal distante representa as lágrimas da pessoa que foi ofendida pelo seu amor, e fica ferida pelos rancores dele que se transformaram em pesadas críticas. Diante das palavras do seu amor, ela opta por calar-se e sofrer em silêncio, daí porque é no silêncio que sua alma cansada e ferida descansa.

Segunda estrofe:


Cansado do embate, o soldado se rende
a imagem se parte, e parte sem adeus
e fustigado meu amor  não compreende
onde foram morrer decretos seus
.

O soldado que se rende é o coração partido da moça, a imagem que se parte é a primeira impressão que ela tinha de seu amor, que ficou partida quando ele a tratou de forma rude. Ele parte sem adeus porque não chegou a por fim ao relacionamento, embora tenha interpretado o silêncio dela como um rompimento. Ela, por sua vez vive a perplexidade diante das palavras dele, e não sabe onde foram parar todas as declarações de amor feitas pelo homem que ama (seus decretos).
Terceira estrofe:

Do alto desta senda o amor se fecha
se cala e se conforma lendo seu tratado
Partida minha flor  por cega flecha


A moça se isola em um local pequeno e solitário - sua própria dor, e pensa na mensagem que ele mandou (seu tratado) mas não o procura para confrontos. Calada e conformada com o fim, ela segue com a sua tristeza no coração feito em pedaços (partida minha flor) pela dor profunda e terrível (a flecha cega ao entrar no peito dá uma ideia de um dor maior).

Quarta estrofe:

Não volte, não o prende mais meu coração
Do pouco que me deste eu deixo este legado
os versos tristes  que derramo pelo chão
.

Na falta de um fim ela decide pelos dois. Fala que ele está livre para seguir a sua vida, mas o seu coração ainda pleno de amor, transforma esta dor que restou em poesias (versos tristes que derramo pelo chão).

Fim.
Enviado por Iolanda Pinheiro em 03/01/2016

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