Textos


-A NOITE DO GALO AZUL-
 


...
Se não me traem as lembranças, sentada à frente do mesmo rio onde tudo começou, e sem ter a quem deixar legado algum, relato meus crimes ao nada, e de ninguém busco condenação ou alívio, minha consciência há muito já me deu uma trégua, mas a minha alma, esta pressente o fogo que lhe está reservado pela eternidade.
....


Minhas primeiras memórias foram feitas de sangue, sujeira e miséria.


Nasci de um estupro, num pequeno povoado distante da civilização, às margens do rio Itapecuru.
 
Minha mãe havia saído mais cedo para lavar a roupa, antes mesmo do sol sair, porque ia pegar um barco até a São Luís.

O homem que viria a ser meu pai andava por ali. Era um rapaz rico da cidade em busca de diversão. Depois de uma noite de farra com os amigos no velho bar do seu Chico, resolveu ir dar um mergulho no rio. Chegou na hora em que minha mãe se banhava, as roupas todas já limpas, estendidas nas pedras.

Pela manhã as outras lavadeiras a encontraram. Nua. Largada para morrer perto da margem. O rosto irreconhecível pelos chutes que levou. Um braço quebrado, e a semente de um monstro entre suas pernas.

A inconsequência de meu pai  custou-lhe a vida - naquela terra perdida e selvagem, coisas como estas eram resolvidas na hora, e a lâmina afiada de um machado foi o implacável juiz e executor da sentença.

Depois de feito o serviço, só lhe sobrou a cabeça com órbitas vazias cravada em uma estaca à beira do rio, o resto do corpo foi jogado na lama onde criavam porcos, para não haver desperdício. Cresci ouvindo aquela história entre os risos debochados dos meus tios, seus algozes.

O descuido fez com que a história se espalhasse, e flutuasse nos pequenos barcos que transportavam mariscos, lentamente, até chegar aos ouvidos dos familiares do rapaz.

Oito anos depois do meu nascimento, o destino daquele crime finalmente se cumpriu. Um homem apareceu em nosso sítio. Não falou coisa alguma. A velha pistola que trazia no coldre cantou para nós a sua dor pelo filho assassinado - uma melodia de sangue.  O primeiro disparo me fez levantar da rede. Cheguei à cena do massacre a tempo de ver o chão batido do casebre pintar-se de encarnado.  Quando tudo terminou, não havia mais o que fazer, ou por quem lamentar. Olhei uma última vez para o corpo tombado de minha mãe, e me despedi do mundo em que vivera até ali.  Segurei a mão que o desconhecido me estendia. O que pareceria incoerência às pessoas comuns, para mim significava possibilidade: a chance de sair daquele lugar e partir para um outro mundo, onde eu finalmente me encontrasse. Então me deixei levar docilmente, sem saudades ou lamentações.


Fui morar na casa do homem, em São Luís.  Meus pés ainda se sentiam enfiados no barro sujo do velho rio, quando a cidade grande e movimentada se descortinou para mim.   Nada do que fizessem, falassem ou me dessem causaria mais efeito do que aquele primeiro dia na Ilha: até então eu havia vivido em um cinzento pedaço de chão que cheirava a peixe e fezes, um pedaço de chão que eu passei a odiar ainda mais quando entendi que o mundo não se resumia àquilo, e, principalmente, àquelas pessoas com as quais jamais tive identificação, a não ser pela minha natureza rude e violenta, que veria a se manifestar anos mais tarde.
 
 
Talvez este rio, a quem agora dirijo minhas lembranças, jamais compreenda como eu, tendo acabado de perder toda a família pelas mãos do homem que agora me abrigava, sentia ganas de jogar-me aos seus pés, agradecendo pelo seu feito. Naquele tempo eu não era muito familiarizada com os conceitos de culpa e consciência, devido à pouca idade e parco discernimento, mas suspeitava que aqueles sentimentos por mim experimentados não eram condizentes com a situação em que me encontrava.


Não podendo expressar a minha gratidão ao homem que havia me tirado de uma vida de indigência, calava-me. Ele entendia meu silêncio como ressentimento, mas como nunca reclamei de coisa alguma, meu avô apreciava a minha suposta conformada submissão.

A verdade era que não sentia nenhuma saudade do tempo em que vivi no sítio, e se não fossem as contingências do destino, eu jamais teria saído daquele mosqueiro de desvalidos para uma cidade grande e uma vida de confortos. Era assim que eu pensava na época, e é assim que penso até hoje. Jamais gostei do lugar onde nasci.

Tive uma vida relativamente tranquila até a morte do meu avô, e a roda do destino dar a sua terceira volta, me jogando na miséria novamente.  Não havia sido registrada como filha natural do meu pai, e com a morte de vovô minha situação ficou descoberta pela lei. Meus tios, que sempre me viram como uma intrusa, sequer admitiram a minha presença durante o velório. Escorraçaram-me da casa, e jogaram minha mala com roupas e livros na calçada. Eu havia acabado de concluir meu curso de enfermagem, e não tinha para onde ir.


Na soleira da porta, enquanto segurava a alça da mala pesada, ainda ouvi tio Augusto gritando, cinicamente:


- Vá embora! Seu lugar nunca foi aqui. Vá lavar roupas para viver, talvez um dia possa lavar a nossa.

Naquele momento todos os planos que havia traçado para a minha vida foram lançados ao chão. Durante o curso de enfermagem, o único curso interessante que era oferecido para moças, eu sonhava com mais amplos horizontes. Agora, a alternativa que me restava era aceitar um emprego que havia recusado, rezando para que a vaga ainda não tivesse sido preenchida. Era isso ou voltar a viver com as pessoas da comunidade onde nasci.

O trabalho era acompanhar um médico alemão a um pequeno povoado no meio da floresta amazônica.

Ri de mim mesma. Afinal, tinha nascido para viver em um buraco cheio de mato, gente pobre e mosquitos, fosse ou ficasse. Não era o que eu sonhava, mas a alternativa era morar com meus padrinhos no antigo sitio dos meus avós. Acabei aceitando.

Fui informada que deveria encontrar meu contratante em um hotel da Praça João Lisboa. Quando cheguei lá descobri que havia um quarto e um maço de dinheiro esperando por mim.

Pela manhã saí para comprar roupas novas na cidade e, ao retornar, o recepcionista avisou que o médico me aguardava no restaurante.


Levei uns cinco minutos para refrescar o rosto e me trocar. Em seguida desci ao encontro do homem. Nunca o havia visto, mas não demorei nada para encontrá-lo entre clientes e garçons. Ele se destacava.


Já não me esperava mais, talvez pela minha pequena demora tivesse decidido não aguardar. Ainda o peguei saindo, naquele paletó preto e bengala de castão de prata. Olhamo-nos. Ele apenas fez um gesto de cordialidade com a cabeça e se foi.

-Senhorita Olívia? – Perguntou um jovem, tocando em meu braço.
-Sim?
- Meu nome é Klaus, sou estudante de medicina e estou sendo orientado pelo Dr. Johann Lenz. O senhor Lenz teve que ir, mas me pediu para avisar que partiremos amanhã às dez horas, e que a senhorita não se atrasasse.

No dia seguinte, como previsto, partimos. Junto às nossas bagagens ia um carregamento de remédios e instrumentos médicos. Quando embarquei no navio, descobri que Dr. Lenz, já estava em sua cabine da qual saiu poucas vezes para observar o mar em companhia do estudante. Era um homem de poucas palavras o que me desestimulava a iniciar alguma conversa.

Manaus foi a última cidade grande em que estivemos, de lá viajamos de trem passando por cidades cada vez menores. Em seguida pegamos um pequeno barco para o resto do trajeto.

Por fim chegamos ao local onde nos estabeleceríamos. O lugar era bem pior do que eu esperava:  Um grande e velho casarão construído no meio da floresta amazônica.  Além do casarão apenas uma vila de casas azuis, uma criação de galinhas e porcos, e um galpão enorme para missas e reuniões. Na fachada do casarão havia um letreiro: Hospital e Manicômio Isabel de Schönau, mas todo mundo chamava de Galo Azul por conta de uma rosa dos ventos fixada no telhado do casarão, com um galo de ferro pintado de azul.

Minhas funções seriam acompanhar o Dr. Lenz e Klaus nas visitas aos doentes, anotar tudo e orientar as moças que cuidavam dos pacientes.

Nossos quartos ficavam em um anexo ao hospital, com cozinha, sala, e um escritório.

Fazíamos quatro rondas para visitar os pacientes a cada dia. A maioria deles por ter contraído malária ou tétano. Alguns eram picados por cobras.

Depois de um tempo que trabalhava lá, as minhas relações com Dr. Lenz haviam melhorado consideravelmente. Tornei-me seu braço direito e ele  pediu que o tratasse pelo seu primeiro nome: Johann. Levava-me no lugar de Klaus, em suas viagens para Manaus, onde recebia provisões e remédios. Ficava a cada dia mais atencioso. Um dia roubou-me um beijo ao final de uma ronda, no apertado corredor que ia para os lavatórios. Depois deste dia namorávamos com regularidade, mas sempre fora das vistas das pessoas.

Numa das viagens que fizemos, ele me chamou para tomarmos um sorvete e pediu que o esperasse pois ia em uma loja ali perto. Voltou segurando uma caixinha aveludada, com um laço dourado. Dentro havia um anel que ele colocou no meu dedo, olhando em meus olhos.

Fiquei alguns minutos nas nuvens, mas ele cortou minha felicidade avisando que eu não deveria contar para ninguém sobre aquilo. Ainda assim, sentia que o anel era uma prova de compromisso, uma promessa de futuro juntos.

Julgando-me comprometida, eu fazia numerosos planos para nós, e inventava desculpas para mim mesma, dizendo que ele não me assumia perante as pessoas para não perder o respeito delas.

Lenz passou a frequentar o meu quarto. Acordávamos de madrugada para não sermos descobertos, mas acredito que todos desconfiavam e sorriam com malícia quando nos viam juntos.

Um mês depois do dia em que recebi o anel, uma família chegou até o pátio do hospital. Estavam bastante sujos e magros. A mulher trazia dois filhos, uma mocinha chamada Helena, e um meninote franzino chamado Pedro.

A mulher se ofereceu para trabalhar na limpeza e disse que a filha também ajudaria.

A família se estabeleceu em uma das casinhas azuis que estava vaga. A mulher era disposta, mas a garota era preguiçosa e insolente. Enquanto a mãe fazia o serviço com as outras mulheres, ficava sentada na mureta da varanda com sua saia enrolada nas coxas, comendo frutinhas silvestres, ou perambulando pelos arredores, fazendo pouco caso se alguém a mandava trabalhar.

Antipatizei com Helena, imediatamente, por sua atitude sonsa, seu jeito de andar requebrado e seus olhares de inocência ensaiada.

O menino tomou-se de amores por mim e vivia me seguindo onde quer que eu fosse.

Pedro era um estorvo. Não podia dar um passo para trás sem que esbarrasse nele. Era como uma sombra que fazia perguntas o tempo inteiro. E não só me aborrecia como atrapalhava os meus encontros furtivos com Lenz, que estavam se tornando cada vez mais raros.

Sempre que conseguíamos ficar a sós, eu o olhava como se implorasse algum gesto de carinho. Lenz sorria e me beijava, mas eu sentia o seu distanciamento evidente, e isso me angustiava um pouco a cada dia.

De contente tornei-me calada. Faltava a paciência com enfêrmos e trabalhadores. Dei para me isolar nas folgas. Ia passear sozinha na mata. Pedro tentava me seguir e eu o repelia. Ele me fitava de longe, com os olhos cheios de água. Era uma cena de cortar o coração e algumas vezes eu o permitia sentar no meu colo, em silêncio. Assim ficávamos os dois sem falar nada, olhando o rio e mergulhando em nós mesmos.

Numa destas tardes não quis dar o meu passeio de costume, resolvi ficar pelo meu quarto organizando documentos e livros. Foi quando ouvi um barulho e risos do lado de fora.

Depois de algum tempo os risos cessaram. Abri a porta do meu quarto e vi Helena entrar no escritório do Dr. Lenz. Imaginei que ele a expulsaria de lá, mas os minutos corriam e não acontecia nada. Achei estranho e fui silenciosamente até a porta. Já ia encostar o ouvido quando ela se abriu de modo brusco, e de lá saiu Helena se recompondo. Lábios e bochechas vermelhos e as mãos se atrapalhando com os botões da blusa. Na sala, Dr. Lenz e Klaus me olhavam, surpresos.

A visão daquela cena tão inesperada me tirou as palavras da boca. Klaus gaguejou explicando que a moça vinha tendo uns desmaios e estava sendo examinada pelos dois.

Não falei nada, apenas pedi desculpas e me retirei.

Passei o resto do dia refazendo a cena milhares de vezes em meus pensamentos, não apenas a que vi, mas que imaginava ter acontecido antes da porta abrir. O que eu não via, eu pressentia, ou criava em minha cabeça.O veneno do ciúme se insinuava em meu coração, tudo em mim era imenso e descontrolado, tudo em mim era suspeita e mágoa.

Comecei a vigiar os dois. Não me concentrava no trabalho e recebia reclamações de todos. Helena agora estava sempre pelo hospital, queixando-se de fraquezas e desmaios.

Uma tarde enquanto media a temperatura de um homem, ouvi uma agitação em um dos corredores, e fui ver o que estava se passando. Havia uma rodinha de gente em torno de algo no chão. Era Helena. Deitada, retorcida, e com os olhos arregalados. Parecia um dos nossos pacientes de tétano em contorções de agonia. Pedro gritava sacudindo a irmã.

Fiquei olhando aquela cena tentando imaginar até que ponto aquilo poderia ser uma encenação. Pedi que me ajudassem. Peguei a moça com uma certa brusquidão e a levamos para um leito. Esperei que os músculos relaxassem. Dei um calmante e fui relatar o acontecido para Lenz.

Depois deste dia as coisas só pioraram. Com o pretexto de descobrir a doença de Helena, ele não saía mais de perto dela. Aos meus olhos, ela parecia estar completamente normal, corada e dengosa - uma falsa.

Na semana seguinte houve uma festa, com uma roda de batuques e acordeom. Nós colocamos algumas cadeiras no pátio e ficamos observando as danças ao ritmo dos tambores. As pessoas formavam uma roda e alguma das moças ia para o centro da roda enquanto os demais batiam palmas, dançavam em círculo e cantavam.

Eu, Klaus, Lenz, e Helena estávamos em lugares vizinhos. Klaus conversava animado com a moça e eu vi quando ele a instigou a dançar. Ela recusou a princípio, negando-se e dando risadinhas, mas depois de alguns minutos se levantou e correu para o meio da roda.

É difícil descrever o que vi. Helena parecia brilhar entre aquelas pessoas: os longos cabelos derramados pelos ombros, cobrindo-os e descobrindo-os a cada movimento da cabeça, a camisa suada colava nos seios mostrando os seus contornos, os quadris cheios de requebros, e o ventre voluptuoso ondulando-se com graça e sensualidade. A moça segurava as pontas da saia com os dedos e as balançavas trazendo-as para junto do corpo e mostrando as coxas morenas.

Os homens, todos eles, olhavam hipnotizados para aquela cena. Outras moças entraram na roda tentando fazer-lhe páreo, mas ao contrário de sedutoras, pareciam apenas vulgares e desgraciosas.

Falei com Lenz, mas ele sequer me ouviu, não tirava os olhos da menina. Saí sem que ele nem se desse conta disso. Tarde da noite ouvi passos vindo em direção ao meu quarto. Há muitos dias ele não me procurava, pensei que nem fosse ele, mas era. Chegou sem bater na porta e já foi se jogando sobre mim. Johann era um amante delicado, tranquilo, até um pouco distante, eu diria, mas em seus braços, pela primeira vez, eu senti o peso da devassidão.

Havia um cheiro forte de álcool e cigarro em seu rosto. Ele se deitou sobre mim enquanto abria os laços da minha camisola fina. Sua barba se arrastava pela minha pele e descia me arrepiando o ventre. Não lutei para me libertar daquele abraço, ou da sua língua quente e faminta me torturando e me fazendo experimentar um alheamento sem controle e sem culpas. Naquela noite descobri novos e degradantes prazeres, e me deliciei na corrupção a qual meus sentidos se entregavam sem reservas.

No dia seguinte achei que ele estivesse me evitando. Não o vi durante a ronda ou mesmo na hora das refeições, apenas Pedro e Klaus se sentaram para comer comigo. Pelo meio da tarde fui procurá-lo em seu escritório, e a porta estava trancada. Klaus me viu e falou que ele havia ido a Manaus.

- Com Helena – Acrescentou, sorrindo, como se zombasse de mim.

Não lhe dei o prazer de ter de mim qualquer resposta, era evidente que ele se ressentia comigo por ciúme da minha proximidade com Lenz. Fingi que a informação não havia me abalado, mas estava destruída por dentro.

Encerrei o expediente mais cedo, alegando uma indisposição. Também não trabalhei no dia seguinte. Pensei em pedir as contas e traçar novos caminhos para minha vida. Meus sonhos se esvaíam como areia fina nas mãos de uma criança.

Lenz e Helena chegaram na outra semana. Ele anunciou que havia encontrado um tratamento eficiente para a menina, que consistia em banhos gelados e hipnose.

Como enfermeira eu sabia que a técnica de banhos gelados já havia se mostrado ineficaz há muitos anos, mas nada falei, deixei que se enredassem cada vez mais na sua própria farsa, e me fiz ainda mais invisível e silenciosa.

Lenz me convidou para as sessões com Helena. A técnica consistia em dar banhos gelados nela e esfregá-la vigorosamente com toalhas. A visão daquela jovem encharcada com o vestido todo colado no corpo apenas me aborrecia e eu pedi para ser dispensada das sessões.

Ele também a fazia sentar-se e a hipnotizava, então ficava dando comandos para a menina. Havia muita coisa a ser feita no hospital pois enfrentávamos uma epidemia de cólera, então acabei deixando aqueles dois a cabo do destino.

O pobre Pedro também ficou doente, embora fosse um garoto irritante, ainda assim eu me preocupava com a sua saúde.

No final da semana eu estava exausta e com raiva, enquanto eu tratava de todas aquelas pessoas com todo o desvelo, mesmo não sentindo nenhuma simpatia por qualquer uma, Lenz continuava totalmente dedicado a curar a misteriosa doença de Helena, e Klaus só me perturbava com suas constantes insinuações sobre a convivência cada dia mais estreita entre Lenz e a moça.

Pensava em me afastar dali, talvez até pedisse uma licença, ou simplesmente fosse embora. Estava cansada e arrependida de ter escolhido uma profissão em que era fundamental sentir amor pelas pessoas, mas eu apenas as desprezava.

Lenz me procurou e disse que havia um carregamento de novos remédios chegando e que não podia se afastar de Helena, então me pediu para viajar com Klaus. Andava tão descrente em tudo, que tanto fazia agora ficar ou viajar, então sequer protestei. Fizemos o trajeto inicial quase todo calados, depois do barco fomos até a estação de trem. Enquanto esperávamos ele começou a fazer perguntas sobre meus planos. Estranhei o súbito interesse e respondi vagamente, eu sabia sobre o que ele queria falar e por fim ele perguntou:

-Você pensa que o Dr. Lenz vai pedi-la em casamento, não é?

Fui pega de surpresa. Nunca havia declarado qualquer envolvimento meu com Lenz para quem quer que fosse. Respondi, tentando encerrar o assunto:

- Não é da sua conta!
- Pode até não ser, mas é o assunto mais comentado no Galo Azul. Tem gente até fazendo apostas por lá, e olha, tem muito mais gente apostando que a Helena ganha.
- Qual é o seu problema? – Perguntei com os olhos cheios d’água e me levantei. Enquanto caminhava Klaus ainda gritou para que todos na estação ouvissem:
-Ele não vai casar com uma e nem com outra, sabia? Ele tem uma noiva em Berlim. A Helga! Se não acredita em mim, pergunte para ele quando voltar.

Nunca consegui gostar muito das pessoas. Mesmo antes de meu avô matar toda a minha família, eu já não gostava delas. Sentia raiva da miséria em que vivia, da minha mãe analfabeta, sempre insistindo em me beijar. Odiava aquele lugar lamacento, com cheiro de fezes de porco e vísceras de peixe. Sempre desprezei as pessoas que conheci, mas agora eu desejava matá-las. Estava fora de mim imaginando como se divertiam as minhas custas. Como riam da minha pretensão de um dia me casar com Dr. Lenz, e isso era ainda mais insuportável do que a traição daqueles devassos.

Klaus passou o resto da viagem falando sobre Helga. Como era linda, jovem, prendada e nobre. Que a sua família era rica, que estudou nas melhores escolas, e que conhecia toda a Europa. Por último disse que no fim do ano chegaria um novo médico com um grupo de enfermeiras e que eu seria demitida. Falou também que ele e Lenz retornariam para a Alemanha.

Eu o deixava falar permitindo que aquelas palavras me atingissem como flechas. Já não pensava mais nos meus castelos de areia, só me culpava por ter sido tão cega e tola. Durante a volta escolhi um assento distante daquele rapaz odiável. Enquanto as horas passavam, urdia em minha cabeça o destino daquelas pessoas, todas elas.

Antes de tomar qualquer atitude eu precisava me certificar das histórias que Klaus havia me contado, o certo é que no meu peito ainda queimava uma pequena chama de esperança. Voltamos. Fiz tudo como o de costume, apenas passei a trancar a porta do meu quarto, providência desnecessária pois Lenz não apareceu mais por lá.

Sorria novamente e as pessoas imaginaram que eu havia aceitado a situação e me conformado. Lenz, diante da minha passividade, tornou-se um descarado. Fechava-se com Helena no consultório e ficava aplicando suas novas técnicas. Um dia ao passar pela frente notei a porta entreaberta. Helena estava nua e ele esfregava seu corpo com as mãos untadas com um óleo perfumado, demorando-se nos seios e no púbis, depois a fez se virar e passou a se dedicar as suas coxas e nádegas.

Em outros momentos Klaus também participava das sessões de massagens, e saía contando para todos. Falava que era uma técnica contra crises histéricas.

Aproveitei os “tratamentos” demorados para revistar o quarto de Lenz. Encontrei um maço de cartas amarrado em um lenço no criado-mudo. Estava lá o nome: Helga Schwarz. Havia de tudo nas cartas: declarações de amor, planos para o futuro, fotografias dos dois, cacho de cabelo amarrado com lacinho rosa, flores ressecadas. Tudo o que ele sempre negou para mim estava ali.

Encontrei também a minha carta de demissão assinada por ele e a guardei em minha mala. Não fiquei doente ou derramei qualquer lágrima. Estava na hora de tomar atitudes.

A cada três meses a comunidade e o hospital faziam uma grande assembleia. Dr. Lenz aproveitava para dar conselhos de saúde para as pessoas, e depois havia uma festa.

Esperei que o dia chegasse.

Assisti à movimentação das pessoas durante o dia, lavando o galpão e limpando os grandes bancos de igreja. Acompanhei os preparativos com a paciência de um monge.No meio da tarde as tochas já estavam fincadas no chão e acesas. Para que meu plano fosse um sucesso completo não poderia haver testemunhas, então mandei Pedro procurar peixes presos nas armadilhas colocadas nos rios, sabia que estavam bem longe e eram muitas e isso me daria o tempo necessário.

Vi quando as pessoas da comunidade se acomodaram nos bancos e encostaram a porta. Fui até lá e coloquei a trava de madeira pesada por fora.

Voltei para o prédio do hospital, pus um carrinho de transporte de roupas na lavanderia e chamei Helena. Ela chegou reclamando que não ia lavar roupa nenhuma. Mandei que olhasse dentro do carrinho que estava quase vazio. Quando se inclinou, aproveitei para cravar uma faca de tratar peixe em suas costas. Enfiei a arma com tanta força que a lâmina sumiu na carne tenra. Seu corpo jovem tremia enquanto eu torcia a faca para aumentar o diâmetro da ferida. Sabia onde acertar para perfurar os pulmões. Ela tentou gritar, mas saiu apenas um barulho de engasgo de sua garganta. Girei mais uma vez a lâmina enquanto Helena tentava alcançar a faca com as mãos. Ainda conseguiu torcer o corpo e olhar para mim como se perguntasse algo, por fim desabou sufocada em seu próprio sangue.

- Encontrou a sua cura, finalmente - Pensei, empurrando o seu cadáver com o pé.

Com algum esforço coloquei Helena no carrinho, então a cobri com panos sujos e fui procurar os outros dois com um pequeno machado.

Encontrei Lenz na cozinha, estava escuro e ele não percebeu o machado em minha mão. Falei que precisávamos conversar. Ele me olhou sem paciência. Talvez acreditasse que eu ainda imaginava alguma possibilidade de reatar nosso romance. Antes mesmo que falasse qualquer coisa, senti o seu aborrecimento em ter que se explicar quando tudo estava tão às claras para todos nós. Disse, por fim, que esperava que eu entendesse, mas que nosso relacionamento havia sido um erro, que ele estava comprometido com uma pessoa na Alemanha. Aquelas palavras só aumentaram o ódio que eu estava sentindo dele. Porco mentiroso! Mas eu não podia transparecer meus sentimentos, ao contrário.

Pedi um último beijo como despedida. Ele suspirou, resignado, e veio em minha direção. Quando estava na distância perfeita, desferi um fundo golpe em sua barriga. O corte se abriu lateralmente expondo as suas vísceras. Lenz olhou para os próprios intestinos que se soltavam pelas bordas da ferida, e gritou. Caiu ciscando no chão como uma galinha sem cabeça. Seus urros atraíram Klaus até onde estávamos. Então eu me escondi atrás da porta e quando passou por mim eu o empurrei com todas as minhas forças, fazendo-o desabar sobre as tripas do amigo. Ele olhou para Lenz que dava seus últimos suspiros e depois para mim, e começou a gritar todo tipo de palavrões.

Não lhe dei tempo para reação, peguei o machado novamente e parti suas pernas, uma de cada vez, na altura do joelho, mas não terminei o serviço. Deixei-o lá agonizando e fui concluir minha obra prima.

Quando cheguei ao galpão percebi que as pessoas já haviam se dado conta que estavam trancadas por fora. Havia uma confusão lá dentro. Pensei em todas as vezes que riram de mim pelas costas. Elas mereciam.

Peguei um vidro com álcool e espalhei pelas paredes e portas de madeira do galpão. Depois foi só jogar uma das tochas e assistir ao espetáculo.

Fiquei lá, parada, apreciando, ouvindo os seus gritos de despespero e o barulho que faziam ao se jogar contra a porta trancada. Senti o desagradável cheiro de carne queimando e ri da inutilidade do esforço que faziam para escapar. O fogo também se alastrou pelas casinhas e logo tudo estava no chão. Podia ter ficado a noite inteira testemunhando o terrível fim daquelas pessoas, mas tinha um trabalho a terminar.

Peguei o resto do álcool e fui até o casarão. Lenz já estava morto, mas Klaus ainda agonizava enquanto seu sangue espirrava pelos cotos das pernas.

Quando ele me viu voltando, implorou que eu o salvasse. Sorri. Mostrei para ele o vidro com álcool e saí da cozinha, imaginando o desespero de Klaus tentando fugir das chamas com suas pernas mutiladas. Talvez ficasse inconsciente antes que o fogo o consumisse por conta da perda de sangue, lamentei não ter jogado o álcool no corpo dele, mas era tarde para consertar este detalhe.

O casarão queimou muito rápido. Durante aquela noite o Galo Azul ardeu até nada restar.

Faltava Helena. Decidi que seria desperdício jogá-la no fogo também, e então levei o carrinho com o corpo dela até a pocilga. Os animais teriam sua última refeição.

Minhas coisas e as de Pedro já estavam acomodadas no barco. Ele apareceu meia hora depois com o cesto vazio, dizendo que não havia conseguido destravar as armadilhas. Sorri para ele. Falei que ia levá-lo para conhecer Manaus. Seus olhinhos brilharam. Criança é assim mesmo, quando se empolga esquece até que tem mãe.

Fomos embora. Quando cheguei em Manaus informei que meus serviços haviam sido dispensados e fui procurar emprego em um grande hospital. Deixei Pedro em um orfanato até conseguir adotá-lo. Ele era a parte boa de mim. Infelizmente morreu jovem, durante o incêndio do navio Maria Celeste, em 1954.

Uma vez, quando Pedro ainda era vivo, eu o levei para conhecer São Luís. Enquanto caminhávamos, vi que passava de frente à antiga casa do meu avô. Lembrei dos meus tios e  tive um pequeno deleite imaginando como me vingaria de cada um deles, mas não queria abusar da sorte. Já convivia há tempos com os fantasmas do Galo Azul, e o medo que um dia meus crimes fossem descobertos, a morte daquelas pessoas não me traria qualquer vantagem, só a satisfação da vingança, então deixei que a vida se encarregasse deles, sem a minha interferência, e que ardessem no inferno que os aguardava.

Nunca casei, e jamais tive outros filhos. Vivi sozinha todos estes anos. Um dia tive vontade de retornar ao lugar onde nasci, e olhar para o mesmo rio que me deu origem. Tudo estava diferente. Não se viam mais as casinhas pobres nem os pequenos barcos. Haviam instalado uma fábrica de beneficiamento de peixes e as margens do Itapecuru estavam urbanizadas. As pessoas passavam e sorriam para mim. Eu era a inofensiva velhinha sentada na praça. Olhei mais uma vez para o rio, o último barco para voltar a São Luís ia partir e eu não queria perdê-lo. Sempre odiei aquele lugar.


Iolanda Maria Pinheiro C. Leitão


Comentários feitos ao conto durante o concurso de contos de terror:

 
13/08/2016 17:03 - Luiz Cláudio Santos
Iolanda, neste desafio havia lido até o décimo sexto conto, depois tive de ir para uma área rural onde não tive acesso a internet. Retornando, tive o imenso prazer em ler-te. O que mais me aterroriza nos seus escritos é que tudo parece verdade. Parabéns e desejo felicidades.

01/08/2016 19:09 - Andre Rocha
Olá autor. Olha você escreve muito bem, não dúvida sobre isso. Mas encontrei um problema estrutural no texto. Quero dizer que há excesso de informação, mais apropriado para uma novela, onde ainda assim deveria haver o fechamento de todas as pontas. Neste caso o início do conto me pareceu um pouco desnecessário e desconectado do desenvolvimento da trama. A história da protagonista ter sido levada para pelo cara que matou sua família e criá-la como neta me pareceu um pouco inverossímil. O terror só surge mesmo no momento da vingança, mas o texto segue morno, parecendo aquele romances frívolos de banca de revista. Acredito que o autor, pelo talento que demonstrou poderia ter produzido algo melhor. Poderia fazer a tesoura funcionar e cortar texto, deixar a história um pouco mais dinâmica, aquela história do tratamento da Helena ficou meio sem pé nem cabeça para mim. Enfim, um texto que tem suas falhas, mas demonstra um amadurecimento do autor. Parabéns, boa sorte.
01/08/2016 15:59 - Leonardo SS Neri
Olá autora, Digo autora, pois tenho certeza da sua identidade. rs. Como a maioria dos seus contos, escrita impecável, história redonda e personagens com personalidades. Mais um Conto com um excelente nível. Boa sorte.

31/07/2016 23:03 - Melisas Ribeiro
Olá autor! Gostei muito do conto. A narrativa e construção dos personagens são os pontos fortes. Sobre a narrativa, faço dois comentários. No início, acharia melhor começar a narrar a história pelo estupro da mãe do que pela descrição do ambiente de infância. Também achei a transição da personagem, de boazinha para psicopata, muito brusca. Nada que comprometa a qualidade do conto, que me manteve envolvida do início ao fim da história. Gostei dos assassinatos com métodos variados: faca de peixe, machado, fogo. As cenas ficaram boas, apenas trocaria por gasolina o álcool Achei que o Pedro seria o protagonista de uma reviravolta, mas isso não aconteceu, o que me deixou um pouquinho frustrada. O desfecho foi bem construído e coerente com a história. Parabéns e sucesso no desafio! Um abraço.

31/07/2016 16:56 - Maddox
Olá! O autor(a) tem um ritmo narrativo que me agradou bastante, o domínio acima da média da língua ajuda muito. O ponto alto, sem dúvida nenhuma foi a construção dos personagens, não só a protagonista, mas também os coadjuvantes. Eu gostei da forma como o terror foi descrito aqui, com cenas bem impactantes, mas descritas nas entrelinhas, isso dá margem para a imaginação do leitor fazer sua parte. A morte do estuprador é um ótimo exemplo do que me refiro, relatando o resultado final no cadáver e o que fizeram com as partes do corpo falam por si só. O que para mim destoou um pouco foi a mudança abrupta da personalidade da protagonista, achei que a transição foi muito rápida, ela era bem boazinha e sofredora e PAH... se transforma numa verdadeira psicopata da noite para o dia. O final me agradou, fechou com a mesma linguagem poética que o conto foi aberto. Parabéns, foi uma ótima leitura.
 
31/07/2016 15:25 - Vanessa Honorato
Olá autor(a)! É como dizem: a maior covardia de um homem é despertar o amor de uma mulher e não amá-la... Este descobriu o significado real da coisa rsrsrs, e todos ao seu redor também. Só não ficou claro pra mim se ela matou também o garoto de quem poupou a vida no Galo Azul. Um bom conto. Bom desafio para o autor e para o Mr Belzebu. Abraços.

31/07/2016 10:55 - Annita Pinheiro
Caro(a) autor(a), seu conto é muito bem escrito. Daria um excelente filme! A narração das cenas é excelente, causando um efeito visual em quem lê, pela riqueza de detalhes. Nessa descrição: ?Lenz olhou para os próprios intestinos que se soltavam pelas bordas da ferida?, deu até pra sentir o odor da cena. Parabéns. Olívia é uma personagem complexa, que deseja se afirmar má e que, no entanto, coloca em segurança a criança que a adorava. Fiquei na dúvida, porém, se depois de um tempo ela tenha se cansado desse filho adotivo e causado o incêndio que o levou à morte. Observação para correção: ?A maioria deles contraia malária ou tétano.? Se eles já se encontravam doentes, o melhor seria ?A maioria deles contraíra...? Enfim, sucesso no desafio.
31/07/2016 02:31 - Sidney Muniz
Um conto simples. O enredo não tem muito potencial, mas a escrita nesse caso esta boa, poucas palavras destoam da narrativa adotada. Algumas horas o excesso de ações mostra ainda o amadurecimento do autor ou autora quanto a narrativa, que foi mediana. Parágrafos curtos demais prejudicaram. Faltou uma maior empatia pelo personagem, que infelizmente é o clássico vingança feminina, numa historia que dados os fatos iniciais poderia ser melhor abordada e apresentada. Parece que o início do conto pouco tem a ver com o final dele, como se toda aquela matança, o estupro, a chacina, fosse apenas uma desculpa para tornar a mulher ruim. Achei que poderia ter havido algo mais, visto que a premissa era boa. Ainda assim é um trabalho interessante que merece reconhecimento. Parabenizo pela obra e desejo boa sorte no desafio!
30/07/2016 22:11 -Maya Kandinsky
>>SPOILER<< Olá, tudo bem? É um ótimo conto. Está bem escrito e agradável de ler. Nunca deixem uma mulher furiosa, acho que fiquei torcendo pela vingança dela o tempo todo desde que o Klaus falou sobre a noiva do Lenz. Na verdade, desde que ele iludia ela e não queria assumir. Adorei o modo como ela fez. Parabéns e boa sorte no desafio.
 
30/07/2016 21:31 - Alexandre Royg Machado
Olá, tudo bom? A protagonista é bem maluca e ciumenta. Imaginei que o doutor acabaria tendo uma caso com Helena hehe. A cena da matança foi bem legal, que mulher vingativa! Ela foi super psicopata! Só acho que o começo do conto foi longo e destoado do resto da história. Parabéns pelo conto, muito bem escrito. Abraços!
 
30/07/2016 19:54 - Crowvox
Esse inicio de conto foi sensacional, talvez o melhor que li nesta edição, tão bom que eu fiquei pensando que talvez eu mesmo tivesse escrito (que modéstia a minha heim). Bom, agora falando sério, que conto legal este, embora o decorrer da trama não tenha sido tão grandioso quanto o inicio eu vi bons momentos. Esta Olívia é bem bizarra, não gostaria de topar com ela.
 
30/07/2016 09:47 - Pedro T
Olá, autor(a)! Um bom conto. O enredo é simples, mas mantém o interesse até o fim. A escrita é de boa qualidade, fluida.Senti falta de mais emoção no relato. O início é bom, mas parece não contribuir muito para a estória - não consegui enxergar ali os motivos para toda a crueldade da personagem depois. Gostei da exploração do conflito entre a escolha profissional da protagonista e sua personalidade, embora pense que poderia enfocar mais esse aspecto, como se ela buscasse a redenção por desprezar o ambiente em que nasceu e não conseguisse. Assim, repito que gostei do texto, é uma leitura que fluiu com facilidade e não dá pra dizer que há trechos mal escritos, mas uma melhor seleção do que contribui para contar a estória ou não o tornaria mais eficiente. Parabéns e boa sorte no desafio!
 
29/07/2016 23:44 - Carlos Henrique Fernando Gomes
Senhor Belzebu, o conto da sua hóspede é lindo, delicioso de ler, um conto de amor e super bem escrito; para um conto de amor. Se a encontrar por aí nos avermelhados fornos da sua agradável pousada, por favor, diga que sou muito fã dela. Sim, suspeito bem suspeitado que você tem uma hóspede. Voltando ao assunto do conto, se pensarmos em um terror que dá sustos, nojos, medo instantâneo, esse conto não é o lugar certo para se procurar isso. Aqui temos um terror que vai se instalando, se acomodando, se aconchegando, dominando aos poucos e quando você menos espera, hehe, f**eu! Você já está dominado por um medão da p*%%@ pelo simples fato de pensar nos assuntos do coração. E por assuntos do coração não falo só de romance, de estar apaixonado, embriagado, não ver mais nada ao lado, como diz a música do Golpe de Estado; estou falando de ser ser humano. Não digitei um ser a mais não; é isso mesmo: ser ser humano, acreditar-se ser humano. Aí um dia a gente acorda e toma a decisão de que num tá nem aí se é mesmo um ser humano e bota fogo nessa porcaria toda e daí em diante nunca mais passará pela cabeça que é um ser humano. Um ser humano com todas as suas implicações, desde os acertos aos erros, dos amores aos ódios, das bondades às maldades. Sr. Belzebu, chega de filosofar, é um lindo conto de amor e por ser assim, a mudança brusca da enfermeira para a assassina fria, com técnica apurada, que levou consigo a única pessoinha que merecia, que a amava de verdade, e acabou com todo o resto; essa mudança abrupta faz sentido e me parece acreditável. Amigo Belzebu, se não fosse pela dor de amor, ela não faria isso. Então, por favor, quando a encontrar pela sua confortável pousada aquecida por demais, não esqueça de dize-la que sou muito fã dela, mas se não for quem estou pensando, diga que ganhou um fã. Muito obrigado, Senhor Belzebu por receber-me neste curto espaço de tempo em sua agradável morada.
 
29/07/2016 17:22 - Agnaldo Souza
Um conto forte. Uma criatura rejeitada desde o nascikmento, filha de uma violência. Na verdade, rejeitada a vida inteira: ao ir para a casa do avô paterno, não foi aceita pelos demais;o alemão era um sem-vergonha, merecia ter sofrido mais. E as pessoas da comunidade que zombavam dela, mesmo sendo destinatárias de seus cuidados? Que cambada! O que aconteceu com a mãe da Helena? O incêndio me lembrou o final do filme "Grito de Horror". Só que lá os monstros estavam dentro do galpão... Teria sido melhor usar gasolina em vez de álcool. Cuidado com doces velhinhas sentadas na praça... Parabéns, Autor(a), e boa sorte!
 
28/07/2016 20:52 - Edinardo Silva Jr.
Olá. Mais uma boa estória de vingança temos aqui. Seu conto é longo, acho que explorou todas as quatro mil e quinhentas palavras (rsrs), mas não me cansou como pensei que ia cansar. A traição ficou tão bem desenhada que despertou o meu interesse em saber o desfecho e você trabalhou muito bem as emoções das personagens, como o ódio de Olívia pela pobreza.Parabéns e boa sorte!
 
28/07/2016 12:55 - Jorge Aguiar
Esse conto possui uma trama rica, e nota-se um certo esforço para "explicar" a psicopatia da personagem, contando desde a origem da moça. A história não é ruim, ela prende do começo ao fim - pelo menos me prendeu -, mas o trabalho para construir o motivo da vingança fez com que ela demorasse a emplacar. A ambientação é ótima e a leitura é muito agradável. Parabéns e boa sorte!
 
27/07/2016 19:59 - Felipe TS
Olá autor(a)! O texto não é ruim, o problema é que também não tem nada de especial. A trama extremamente simples, sem nenhuma grande revelação e uma narradora que conta muitas coisas desnecessárias. Como por exemplo o início do conto, que soou para mim extremamente desnecessário, visto que não é apresentando nenhuma justificativa para o início da narrativa, achei que pareceu uma tentativa de enfeitar a história, mas comigo não desceu. Depois somos apresentado as primeiras memórias e a construção ai é fragmentada demais. Veja bem qual a ligação em narrar brevemente, praticamente de forma resumida como era o local, para logo em outro parágrafo marcar o início da narrativa de seu nascimento? Não vi ligação nenhuma. Por isso o texto começou para mim na frase "Nasci de um estupro". Ai sim a narrativa engrena e apresenta boas descrições e um desenvolvimento divertido. Ainda assim, acho que a personalidade da narradora não ficou forte o suficiente para justificar suas afirmações e ações, como a prória Anorkinda disse, existem muitas contradições que não parecem fazer sentido. Outra coisa que me incomodou foi a repetição de construções usando "me", na primeira pessoa é necessária prestar atenção para não virar escravo disso. Enfim, minha dica para o autor é que narre menos, fique apenas no essencial, você tem potencial. Sorte no desafio!
 
27/07/2016 19:40 - Anorkinda
Olá! Texto grande não é? Tá mais pra novela do que conto. Gostei da amarração início/final. Não entendi porque os parágrafos sao pequenos, divididos desta maneira. Vc vê que o conto estende-se mas a história é simples. O texto tentou justificar a 'loucura' assassina da moça com a sua origem, mas não ficou satisfatoria esta explicação, não vi pontos da personalidade dela q indicassem tamanha crueldade, fala várias vezes q ela naõ gosta de pobres e naõ sente nada por ninguém, por isso mesmo não havia necessidade de matar. Ciúmes, aí sim, mas ela agiria num ímpeto de raiva e mataria os dois traidores, Lenz e Helena ou um dos dois. Não sei, nada fez sentido.. se ela nao gostava de ambientes pobres, não teria ido trabalhar no interior do interior, se ela nao tinha sentimentos humanitarios nao teria se tornado enfermeira, achei q ela sabia muitos detalhes de como foi concebida, como ficou sabendo disto tudo? único ponto legal foi a presença do menino e seu salvamento, dae pensei q ela ficaria com ele mas o colocou num orfanato e desnecessário o trecho relatando a morte dele, nao acrescenta nada à história e ainda frustra o leitor q justamente estava aliviado de ele ter escapado da fúria incendiaria da maluca.. rsrsMas vc escreve bem, tente diminuir a prosa.. rsrs Boa sorte e abraço.
 
27/07/2016 18:20 - Ana Carol Machado
Olá! Muito bom. Gostei bastante desse conto. Achei que o começo fechou muito bem com o fim. Tipo a forma como foi mostrado o final, em como vemos a Olívia depois de velha perto do rio em que tudo começou foi muito bom. Foi como se ela sentisse, já depois de velha, necessidade de contar os seus crimes há alguém e tivesse escolhido o rio e o vento para serem os seus ouvintes. As cenas das mortes foram muito bem narradas. Outra coisa que achei interessante é a forma como vemos as coisas acumulando, as decepções, a traição, a forma como o Klaus falava, até que a protagonista chega ao momento em que decide matar. Desejo boa sorte no desafio.
 
27/07/2016 16:47 - Janaina Caixeta
Olá! É uma história muito interessante. A Olívia tinha uma vida que não gostava e acho que isso ajudou para que ela ficasse de mal com todos ao seu redor. Foi uma vingança justa, porque ela foi enganada pelo o médico. Só não achei que precisava ter matado todo mundo. No começo, achei que ela fosse uma mulher boa, mas no decorrer do conto ela mudou completamente. Ela diz que os gritos do Klaus eram música para os ouvidos dela, mas essa frase é bem clichê. O final não surpreendeu muito, mas mostrou o quanto ela era desligada das pessoas. É isso... Boa sorte no desafio.
 
27/07/2016 16:34 - Fheluanny Nogueira
Narrativa longa, mas que oferece uma leitura fluida e instigante, com frases curtas, pequenos parágrafos e poucos deslizes gramaticais (crases, acentos, digitação, regência de "ir"). Na introdução a linguagem é poética, com algumas construções de efeito ("memórias feitas de sangue, sujeira e miséria"; "semente do monstro entre as pernas"). Muitas informações, no desenvolvimento do texto, poderiam ser cortadas sem nenhum prejuízo da trama. A ambientação ficou muito boa, enfim é um texto com muitas qualidades, porém faltou mais suspense e emoção. Gostei da volta da narradora às origens. Parabéns e abraços.
 
27/07/2016 13:21 - Antonio Stegues Batista
O enredo não tem nada de fantástico, existem algumas frases com alguns erros, ou imperfeições, mas a narrativa é boa. A personagem tem personalidade, nasceu na miséria e já tinha uma mente perturbada e quando chegou na vida adulta, essa perturbação tonou-se mais forte a ponto de ela se tornar uma assassina. Gostei do modo narrativo (?) e da revelação lenta da personalidade da narradora. Como é mesmo o nome dela?
 
27/07/2016 10:14 - Cíntia Hussar
Olá Autor, um conto que prendeu minha atenção, que trouxe a velha temática, ciúme- traição- vingança, em um cenário afastado, diferente, em meio a mata. Gostei da ambientação feita e da linguagem utilizada. Achei legal contar a história de Olívia para construir o caráter e mostrar o desligamento dela às pessoas, achei até bonito ela salvar o Pedro, rsrsrs. Parabéns e boa sorte.

27/07/2016 09:33  - Catarina Cunha
O poder da narrativa é de talento inquestionável. O vocabulário rico demonstra uma experiência acima da média aqui. O conto cresce junto com a saga da protagonista. Há mais suspense do que terror explicito, o que me agradou. PIOR MOMENTO: O 10º parágrafo, muito importante para a ação, foi mal redigido, confundido ele com ela. MELHOR MOMENTO: Está no que não está escrito, na mensagem subliminar encontrada nos sentimentos e pensamentos da "semente do monstro entre as pernas".
 
24/07/2016 19:14 - Belzebu
Aqui me parece que o autor não tem muito costume de trabalhar com a primeira pessoa. Temos diversas informações que parecem que não contribuem para a trama, assim como um excesso de repetição de vocábulos que deixa a leitura chara em vários momentos. O perfil da narradora também não foi muito bem trabalhado, por exemplo as falas que ela demonstra o repúdio em relação a sua origem e aos pobres, são muito vazias, não conseguimos encontrar na narrativa a força suficiente para sentir isso. Mesmo assim, a parte que narra o período de traição. De qualquer forma a partir do aparecimento de Helena a história melhora um pouco. Parabéns e sorte no desafio.
 
24/07/2016 16:42 - Davenir Viganon
Olá autor(a), seja lá quem for! Gostei da construção dos personagens, mas o enredo peca pela falta de picos de emoção. Um aboa enxugada no início cairia bem não pudesse ser chato (pois não achei) mas porque não acrescentou a estória, ficou sobrando ou poderia ser o início de uma outra coisa. Acho que a parte final pedia frases mais curtas para valorizar a ação com o cenário já armado. Apesar de todas essas coisas foi uma leitura fluida. Veja bem um conto deste tamanho eu li de uma vez só. É o melhor elogio que eu posso dar, pois alguns textos eu parei umas 10 vezes e terminei no outro dia. Boa Sorte!
 
23/07/2016 10:07 - Gilson Raimundo
Uma leitura fluida, boa ambientação, trama envolvente apesar de que o autor se absteve do elemento terror, contou uma bela história e na hora de assustar através das torturas preferiu tratá-las de uma forma sutil, na verdade muitos estão se contendo neste quesito, preferem mistérios ou dramas, acho que uma boa oportunidade foi deixada de lado. Pontos curiosos; ?faltava paciência com os pacientes? e ?sentei em um assento? (palavras parecidas ou redundantes). A criatividade é nota dez. Não sei se na selva amazonica existe este tipo de torre de observação ao estilo dos EUA.
 
22/07/2016 11:22 - Iolanda Pinheiro
Olá, deixei o seu conto por último porque só de ver o tamanho dele já senti preguiça, mas vamos em frente. Quantos às correções, eu encontrei poucos problemas gramaticais: Nesta frase "Ela se assustou e foi se afastando para dentro do rio, mas ela a alcançou." Quem alcançou a mulher foi um homem, então troque o último "ela", por "ele". Nesta frase: "Mandei que ela olhasse dentro do carrinho que estava quase vazio. Quando ela se inclinou aproveitei para cravar uma faca de tratar peixe em suas costas." vc pode cortar o pronome ela sem prejudicar o sentido e evitando a repetição do mesmo pronome várias vezes. Nesta frase "Ele suspirou resignado e veio em minha direção, quando estava na distância perfeita desferi um fundo golpe em sua barriga", há vírgula depois de suspirou e depois de resignado. Antes da palavra "Quando" há um ponto final. Evite, apague, nunca mais use esta frase na vida "Seus gritos eram como música para os meus ouvidos.", além de ser um clichê vulgar eu ainda a vi em vários contos de terror desta edição. Sobre a história quero destacar que achei a sua escrita elegante, e clara. Apesar do conto ser muito longo não tive dificuldade em ler pois o conto prendeu minha atenção. Entendi que a primeira parte da história serviu para tornar mais marcante a personalidade de Olívia, e sobressaltar a origem do seu ódio pela pobreza e os infortúnios da sua vida. Fora a sua relação com o menino Pedro, não se vê sentimentos positivos em Olívia, que separa o que é bom e o que é ruim apenas pela ótica do interesse, sendo capaz de viver com o assassino de sua família apenas pelo conforto que esta situação podia lhe proporcionar. Achei que esta nuance também revelava a reação de Olívia diante das tragédias de sua vida, e como reprimiu este ódio por muitos anos até deixá-lo explodir no seu último dia no Galo Azul. Não sei se estou certa, mas notei traços de psicopatia na personalidade da protagonista. Gostei do conto. Parabéns, autor, e sorte no desafio.
 
22/07/2016 09:47 - Glau Kemp
O inicio é bem entediante. Em outra ocasião não continuaria a ler. As coisas acontecem, mas são quase sem impacto, apesar de jogar a história para frente. A cada parágrafo sinto que tudo dito antes poderia ser descartado e a história ter iniciado ali ou resumido em poucas frases, tamanho é o sentimento de que não está acontecendo nada importante. Um pouco depois do meio fica interessante e os personagens são bons. Cara autor(a), você tem uma coisa que eu admiro que é o investimento no personagem, em sua personalidade e seus sentimentos. Autores assim sempre tem a minha atenção, mas a atenção é uma coisa muito frágil e tudo isso tem que ser diluído dentro do texto. Recomendo colocar esses elementos misturados as ações vitais para a história, e sempre evitar introduções longas. Porque se você perde o leitor no inicio reconquistá-lo é muito difícil. Boa sorte no desafio.
 
21/07/2016 23:25 - Luciano Vieira
Não sei se sou só eu, ou se isso tem acontecido em outros desafios, já que há muitas edições não participo, mas tenho visto alguns contos se alongarem sem necessidade. Neste caso caro autor ou autora, acho que você poderia ter um usado a tesoura um pouco mais, você contou duas historias da mesma personagem e senti falta de elementos que servissem de elo entre elas, se bem que até percebi algo presente em outros contos: personalidades moldadas por traumas da infância, problema que infelizmente é bem real em nosso mundo. No mais gostei, nunca traia uma mulher, se ela for enfermeira então! Fica a lição, rsrs. Parabéns e boa sorte.
 
21/07/2016 09:52 - Juliano Marques
Vamos ao conto. A introdução é muito longa e acontece muita coisa que não terá nada haver com o resto da trama. Uma protagonista mulher que é muito bem construída. As descrições são um ponto positivo de o narrador, o exemplo é a descrição da dança de helena, entre outras. outra coisa, cuidem com frases como (Seus gritos eram como música para os meus ouvidos.)clichêeeeeeeeee. Mas nada que tire o bom trabalho, o conto no final fica muito bom, quase ótimo. Parabéns autor e boa sorte no desafio.
 
21/07/2016 01:05 - Maria Santino
Olá,hospedeiro e autor hospedado. Antes de tudo, eu curti demais isso aqui [Olhando o rio e mergulhando em nós mesmos]. Ok, segue meu comentário no qual falarei sobre a apresentação, conflito, clímax e desfecho presentes aqui. 1. Pow, uma apresentação muito longa e que perde um pouco o foco, uma vez que falar da vida da Olívia, mesmo competente como foi, não justifica as suas atitudes. Elas (as atitudes) estão sustentadas na traição. Desde o começo do conto até a inserção da Helena e Pedro tudo o que temos é a aclimatação da trama que poderia ser mais compactada. 2. Como eu disse antes é bem amarrada a traição, que deságua na vingança. A apresentação foi satisfatória e houve a preocupação de inserir abalos à Olivia de modo crescente, ainda que lento. 3. O climax foi a parte que menos apreciei, porque foi mais narrado que sentido. Faltou mais do mostrar. (chamou, furou, beijou, cortou, queimou...).Chamo a atenção também para o uso de álcool, algo altamente volátil, que se torna eficaz na madeira, palha, folha seca e afins. 4. Então, final melancólico (eu gosto), mas que acabou destoando um pouco do restante. Acho que o que pegou mais foram os intervalos de tempo (nasceu e se mudou -- tempo decorrido -- estada no Galo Azul -- tempo decorrido -- retorno ao local de origem). Se você editasse alguns fatos traria mais agilidade e o texto se tornaria mais objetivo. Boa escrita, técnica de desvendar junto com o leitor (eu não saquei que viria uma vingança não, só pensei que poderia haver essa possibilidade) e bons personagens também. Se um dia você deixar o conto em uma versão mais light, dê mais vazão a raiva que a Olívia sentia da pobreza. É um argumento muito bom. Boa sorte no desafio. Sucesso.
 
19/07/2016 09:54 - Ricardo de Lohem
Olá, como vai? Vamos ao conto! Uma clássica história de ciúmes e vingança, o tipo de história noir que já rendeu muitos clássico. Mas nem tudo é perfeito. Não entendi por que contar a história da origem de Olívia desde sua concepção: achei realmente desnecessário, não acrescentou em nada a história, não teve nenhuma relação com os acontecimentos que se deram com ela adulta, o núcleo da história. Após uma breve introdução, o conto poderia começar quando ela recebe a proposta para trabalhar com Klaus. Depois disso, quanto se inicia a história de verdade, temos outro problema:previsibilidade absoluta. Eles começam a namorar, mas ele pede segredo, tornando óbvio que vai arranjar outra, e ela vai querer se vingar, o que de fato ocorre, sem surpresas, revelações ou nada que escape, um mínimo que seja, dessa fórmula, aqui inexorável. Apesar disso, uma boa história de vingança, seja você que for, desejo muito Boa Sorte no Desafio!

 
Iolanda Pinheiro
Enviado por Iolanda Pinheiro em 15/08/2016
Alterado em 02/02/2017
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